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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

VOCÊ JÁ OLHOU PARA O CÉU?

Você já olhou para o céu?



Se há algum estudo específico de quantos quilômetros, em média, uma pessoa caminha por dia, não é muito difundido. Até existe o chamado podômetro, que mede quantos passos uma pessoa dá por dia. Segundo o site Revista Viva Saúde, tem-se como "recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e várias outras instituições é que, para sair da linha de sedentarismo, é preciso dar ao menos 10.000 passos por dia." Vinte minutos, por dia, talvez seja o suficiente. Sabe-se e reconhece-se uma boa caminhada faz bem à saúde.

Uma vez feito este e outros estudos sobre o assunto, além de descansar a mente, é um possível passatempo para muitas pessoas neste globo, dentre elas empresárias, garis, cozinheiras, escritoras, jornalistas, etc. Quem sabe até mesmo um meio de obter saídas e resultados no trabalho no qual se chegara a um ponto intransponível. Se um escritor, aquele personagem cuja cena parece não revelar um caminho plausível de um final querido; um advogado, de qual lei se pode usufruir para defesa de um cliente; do médico que tenha um paciente e que só ele pode devolver a saúde; o próprio gari, cansado do trabalho, a aproveitar o retorno para casa numa caminhada vagarosa e relaxante. 

Mas, questiona-se, quantas pessoas têm o hábito de olhar para o céu?

Ah, mas céu tem as nuvens, que novidade tem?, diriam alguns.

Que bobagem!, diriam outros.

O céu é azul, tem o sol, foi o que aprendi na escola!

Quantas pessoas? A maioria caminha com a cabeça baixa. Isso é fato. A natureza é tão bela. Não é composta apenas do arbusto que se vê a uma curta distância, num olhar de esguelha para o lado. Tampouco daquele tronco de árvore cuja copa é ignorada. Vai chover. Como você sabe? Escureceu. Não é só isso. É difícil olhar para cima; e quando se olha, é para uma coisa objetiva e depois volta-se para o chão - ou abaixo da linha central do rosto. 

O movimento da cabeça parece ocasionar vertigem. A despeito disso, já pensou em olhar para o céu? Ah, mas se olhar para o sol... Não sol. Céu. E não só o céu como se aprende na escola, mas tudo acima da cabeça. A copa da árvore. O prédio de cobertura adornada de flores. Algum detalhe de um prédio. O formato divertido das nuvens. Não, não é difícil. Basta costume. Basta atitude. Vai que um sorriso espontâneo surja, e ilumine todo o dia.



10h09min sexta-feira 20 outubro 2017
Leon Nunes


terça-feira, 19 de julho de 2016

A cultura da migalha (crônica)

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Muitos acreditam que o escritor não tem o hábito de fazer nada além da ficção, mas não é verdade.
A crônica é um bom exemplo.
Por mais que meu âmbito de fato seja a ficção, também tenho escrito algumas croniquetas.
Aqui vai uma.
Depois diz pra mim o que achou.
Eu os amo.


A cultura da migalha

Segunda-feira 18 julho 2016 6:38
Terça-feira 19 julho 2016


Depois de uma hora na fila – veja, sul do Brasil faz frio, queridão – para pegar uma ficha para clínico geral, final de madrugada 4 graus e sensação térmica mil negativo, além de não ser fácil, é algo cômico não fosse trágico.

Eu explico.

A saúde, no país brasílis, é caótica. Daquelas que dá pena, raiva, desgosto. Médicos (quero crer a maioria competentes) mal remunerados. Locais – postos de saúde – eventualmente mal conservados, com o mínimo de estrutura necessária. Bem. Falei o óbvio.

O que eu não disse, e agora vem o núcleo da proposta qual ponho a baila, é – digamos – a maneira de pensar-agir de muitas pessoas. Tudo bem que chegar cedo e garantir uma ficha é legal. Mas muitas delas preferem vir aos postos às 04 horas da manhã. Tudo para ser o primeiro ou a primeira da fila.
Olha que os postos abrem às 7, aproximadamente.

Alguém pode me explicar a psicologia disso?

Nada justifica, creio, sair de casa tão cedo.  Nada justifica, sequer explica, esta ‘sanha' pelo - pelo quê? Dizer, estufado peito, eu fui o primeiro a chegar! Quão idiota esta atitude, se assim o for. Ah, mas se pode justificar quero ser atendida(o) mais cedo e, bum, fez-se o sol.

Ultimamente está em moda dar nomes como “ cultura do estupro”, “cultura do caralho-a-quatro”, “cultura da descultura”. Nada mais justo chegar às 4 da manhã num posto para ter a primeira ficha (ironia) e alimentar-salientar esta cultura da migalha; somos frangos para abate mesmo (humor negro).


Não proponho soluções, longe disso. Quero, entanto, encontrar um porquê. Provocar discussão sadia acerca do assunto. Quem ainda quer chegar cedo?